Ilustração de uma preguiça-gigante de pelagem marrom alcançando as folhas de uma árvore, em paisagem aberta

Preguiça-gigante: o mamífero do tamanho de um elefante que viveu no Brasil

As preguiças de hoje são pequenas, lentas e vivem penduradas em árvores. Mas, há milhares de anos, o Brasil teve preguiças que andavam pelo chão e pesavam cerca de 5 toneladas, tanto quanto um elefante.

Neste artigo, você vai conhecer a maior delas, o Eremotherium laurillardi, descobrir onde ela viveu e o que se sabe sobre o seu desaparecimento.

O que era a preguiça-gigante

“Preguiça-gigante” é o nome popular de várias espécies de preguiças terrestres que viveram nas Américas. Elas faziam parte da megafauna, termo usado para os mamíferos gigantes que viveram no Pleistoceno, período também conhecido como Era do Gelo.

A espécie mais famosa no Brasil é o Eremotherium laurillardi. Segundo o Museu Nacional, da UFRJ, um animal dessa espécie podia pesar cerca de 5 toneladas e medir aproximadamente 6 metros do focinho até a cauda.

Do tamanho de um elefante?

A comparação faz sentido pelo peso. O Zoológico Nacional do Smithsonian informa que um elefante-asiático adulto pesa, em média, entre 2,75 e 5,4 toneladas. Ou seja, a preguiça-gigante pesava tanto quanto um elefante-asiático grande.

O Museu Nacional faz outra comparação: 5 toneladas é o peso de um caminhão.

Qual era a altura?

Depende da postura. Um texto de pesquisadores da UFMG publicado na revista Ciência Hoje das Crianças informa que o Eremotherium tinha quase 2 metros de altura quando estava apoiado nas quatro patas. Já o Museu Nacional explica que ele podia atingir cerca de 4 metros de altura enquanto se alimentava de folhas de árvores.

Onde viveu

O Eremotherium laurillardi viveu da América do Sul até os Estados Unidos. No Brasil, segundo o Museu Nacional, a espécie ocorre em quase todos os estados. Um exemplo é o Rio de Janeiro, onde há registros na bacia de São José de Itaboraí.

De acordo com os pesquisadores da UFMG, a espécie viveu entre 11 mil e 47 mil anos atrás.

A curiosidade explicada: como vivia um gigante herbívoro

Apesar do tamanho, a preguiça-gigante não era predadora. Ela era herbívora e comia folhas, outras plantas e gramíneas.

As garras grandes eram uma das suas ferramentas mais importantes. Segundo o Espaço do Conhecimento UFMG, elas eram essenciais para apanhar folhas. Os pesquisadores da UFMG acrescentam que as garras também serviam para a defesa.

As folhas eram a base da dieta das preguiças-gigantes, e elas as buscavam desde arbustos baixos até as árvores mais altas. Com o seu tamanho, o Eremotherium alcançava folhas que ficavam fora do alcance de animais menores.

Outras preguiças-gigantes do Brasil

O Eremotherium não era a única. O Brasil teve outras preguiças terrestres, de tamanhos diferentes:

  • ***Glossotherium robustum*:** segundo o Museu Nacional, media cerca de 3 metros de comprimento e pesava em torno de 1,5 tonelada.
  • ***Glossotherium phoenesis*:** em abril de 2019, o paleontólogo Cástor Cartelle recolheu cerca de 200 peças fossilizadas dessa espécie, que viveu em estados como São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco, segundo o Espaço do Conhecimento UFMG.
  • ***Megatherium americanum*:** um parente famoso, que chegava a 4 toneladas e 6 metros de comprimento.

Por que as preguiças-gigantes desapareceram

Segundo o Espaço do Conhecimento UFMG, as preguiças-gigantes desapareceram há mais ou menos 10 mil anos.

O Museu Nacional explica que a hipótese mais aceita hoje para a extinção da megafauna é a combinação de várias consequências do aquecimento do clima no fim da Era do Gelo. O Pleistoceno terminou há cerca de 11 mil anos.

Outras curiosidades

  • Estudada desde o século 18. Em 1796, o naturalista Georges Cuvier estudou uma preguiça-gigante e deu a ela o nome de Megatherium americanum.
  • Minas Gerais tem fósseis históricos. Em 1834, o paleontólogo Peter Lund encontrou em Lagoa Santa, na região de Belo Horizonte, o fóssil de uma preguiça-gigante datado de cerca de 9 mil anos.
  • Ela dividiu o Brasil com outros gigantes. Na mesma época viviam o tigre-dentes-de-sabre (Smilodon populator) e os toxodontes, mamíferos herbívoros de até 1 tonelada.

Perguntas frequentes

A preguiça-gigante existiu mesmo no Brasil?
Sim. Fósseis do Eremotherium laurillardi foram encontrados em quase todos os estados brasileiros, segundo o Museu Nacional.

Qual era o tamanho da preguiça-gigante?
O Eremotherium media cerca de 6 metros do focinho à cauda e pesava por volta de 5 toneladas.

A preguiça-gigante era perigosa?
Ela era herbívora. As garras serviam para pegar folhas e também para a defesa.

Quando a preguiça-gigante foi extinta?
Há cerca de 10 mil anos, no fim da Era do Gelo.

Por que ela foi extinta?
A hipótese mais aceita, segundo o Museu Nacional, é o conjunto de consequências do aquecimento do clima.

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Fontes

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