Ilustração realista de um titanossauro de pescoço longo caminhando em uma planície seca com árvores baixas

Austroposeidon: o maior dinossauro já descrito no Brasil (até agora)

O maior dinossauro conhecido do Brasil passou mais de 60 anos guardado em um museu antes de ganhar nome. Seus ossos foram encontrados em 1953, no interior de São Paulo, mas só foram estudados a fundo em 2016. O resultado: um gigante de cerca de 25 metros de comprimento.

Neste artigo, você vai conhecer o Austroposeidon magnificus, entender como os cientistas estimaram o tamanho dele e por que o título de “maior” pode mudar no futuro.

O que é o Austroposeidon

O Austroposeidon magnificus é um titanossauro, um grupo de dinossauros saurópodes. Os titanossauros eram herbívoros, tinham corpo grande, pescoço e cauda compridos e cabeça relativamente pequena.

Segundo o artigo científico que descreveu a espécie, publicado em 2016 na revista PLOS ONE, os titanossauros incluem alguns dos maiores animais terrestres que já existiram. A maioria deles foi encontrada na Argentina.

O nome mistura três ideias, de acordo com a Agência Brasil:

  • Austro: referência ao sul;
  • Poseidon: o deus grego;
  • magnificus: palavra em latim para “magnífico”.

Onde e quando ele viveu

Os ossos vieram dos arredores de Presidente Prudente, no oeste de São Paulo. As rochas da região pertencem à Formação Presidente Prudente, parte do Grupo Bauru, e são do fim do período Cretáceo.

Segundo o artigo de 2016, as rochas do local são arenitos e lamitos, formados por areia e lama compactadas. O Grupo Bauru já tinha revelado outros titanossauros antes do Austroposeidon, como o Brasilotitan nemophagus, descrito em 2013, e o “Aeolosaurus” maximus, descrito em 2011. O Maxakalisaurus, de Minas Gerais, também veio de rochas desse mesmo grupo.

O Cretáceo Superior vai de cerca de 99,6 milhões a 65,5 milhões de anos atrás, segundo o Museu Nacional da UFRJ.

Uma descoberta guardada por 60 anos

A história desse dinossauro começa em 1953. O paleontólogo Llewellyn Ivor Price coletou vértebras gigantes nos arredores de Presidente Prudente, perto de onde hoje passa a rodovia Raposo Tavares.

Os ossos foram levados para o Museu de Ciências da Terra, no bairro da Urca, no Rio de Janeiro, ligado ao Serviço Geológico do Brasil. Segundo a Agência Brasil, o material ficou décadas sem ser analisado por falta de recursos.

Só em 2016 uma equipe de paleontólogos publicou a descrição da nova espécie. A primeira autora do artigo é Kamila Bandeira, que na época fazia doutorado no Museu Nacional da UFRJ. O trabalho teve participação do Museu de Ciências da Terra, da Petrobras e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Os autores tentaram voltar ao local exato da descoberta, mas a área já estava tomada pela cidade.

Como os cientistas sabem que ele era tão grande

Ninguém encontrou um esqueleto inteiro do Austroposeidon. O que existe são partes da coluna: as duas últimas vértebras do pescoço e a primeira das costas, quase completas, além de pedaços de outras vértebras das costas e do quadril.

Comparando esses ossos com os de outros titanossauros mais completos, os pesquisadores estimaram que o animal tinha cerca de 25 metros, do focinho à ponta da cauda. No artigo de 2016, eles afirmam que a espécie é o maior dinossauro conhecido do Brasil até aquele momento.

É importante lembrar: 25 metros é uma estimativa, feita a partir de poucos ossos. Em uma coluna na revista Ciência Hoje, o paleontólogo Alexander Kellner, um dos autores do estudo, reconhece que o material é relativamente escasso e que algumas vértebras estão bem fragmentadas. Novas descobertas podem mudar esse número e até o ranking.

Um adulto, não um filhote

Os cientistas também fizeram tomografias das vértebras. Não encontraram sinais de que o animal fosse jovem, por isso consideram que o exemplar era adulto. As imagens ainda mostraram uma estrutura interna dos ossos que, segundo os autores, foi descrita pela primeira vez em saurópodes.

O recordista anterior

Antes do Austroposeidon, o maior dinossauro conhecido do Brasil era o Maxakalisaurus topai, com cerca de 13 metros, segundo a Agência Brasil e o Museu Nacional.

Ele foi encontrado no município de Prata, em Minas Gerais, e descrito em 2006. De acordo com o Museu Nacional, foi o primeiro dinossauro brasileiro de grande porte a ter o esqueleto montado para exposição no país.

Ou seja, o Austroposeidon tinha quase o dobro do comprimento do antigo recordista.

Outras curiosidades

  • Parente de gigantes: a análise do artigo de 2016 aponta o Austroposeidon como parente próximo dos lognkossauros, um grupo de titanossauros gigantes.
  • Cerca de dez titanossauros: segundo Kellner, cerca de uma dezena de espécies de titanossauros já foram descritas no Brasil, mas nenhuma delas era gigante antes do Austroposeidon.
  • Pode haver maiores: segundo a Agência Brasil, o paleontólogo Alexander Kellner, da UFRJ, disse que a descoberta indica que espécies ainda maiores podem ter vivido no Brasil.
  • Braço em tamanho real: na apresentação da espécie, em 2016, o Museu de Ciências da Terra expôs os ossos e uma reconstrução do braço do animal em tamanho natural.
  • Museu atingido: as exposições do Museu Nacional, onde o Maxakalisaurus era exibido, estão fechadas por tempo indeterminado por causa do incêndio que destruiu grande parte das coleções.

Perguntas frequentes

Qual é o maior dinossauro do Brasil?
O maior conhecido até agora é o Austroposeidon magnificus, com cerca de 25 metros, segundo o artigo científico de 2016 que descreveu a espécie.

Onde foi encontrado o Austroposeidon?
Nos arredores de Presidente Prudente, no oeste de São Paulo, em 1953.

O Austroposeidon era carnívoro?
Não. Ele era um titanossauro, um grupo de dinossauros herbívoros de pescoço comprido.

Como sabem o tamanho dele se não acharam o esqueleto inteiro?
Os cientistas compararam as vértebras encontradas com as de outros titanossauros mais completos. Por isso, os 25 metros são uma estimativa.

Qual era o maior dinossauro do Brasil antes dele?
O Maxakalisaurus topai, de Minas Gerais, com cerca de 13 metros.

Gostou de conhecer o Austroposeidon? Veja também outras curiosidades da pré-história aqui no blog.

Fontes

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