A onça-pintada não é o maior felino do mundo. Leões e tigres são mais pesados e mordem com mais força bruta. Mas, quando a comparação leva em conta o tamanho do corpo, a mordida da onça fica entre as mais fortes de todos os felinos estudados.
Neste artigo, você vai entender o que os cientistas mediram, como a onça usa essa mordida para caçar e onde ela vive no Brasil.
O que é a onça-pintada
A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas. O Zoológico de San Diego a descreve como a única espécie de “grande felino” do continente americano, parente do leão, do tigre e do leopardo.
Segundo o zoológico, uma onça adulta pesa de 31 a 121 quilos. Os machos são maiores que as fêmeas. As onças do Pantanal costumam ser bem maiores que as de outras regiões.
O corpo é forte e musculoso, com patas largas. As manchas do pelo se chamam rosetas. Na onça, muitas rosetas têm uma pintinha no meio. No leopardo, que vive na África e na Ásia, as rosetas não têm esse ponto central. Também existem onças quase totalmente pretas, chamadas de melânicas.
Onde vive
A onça-pintada vive do México à Argentina. A organização Panthera, dedicada à conservação de felinos, conta 18 países com a espécie. Segundo a mesma organização, o Brasil tem a maior população de onças das Américas.
No Brasil, uma avaliação do ICMBio indica que a onça ocorre em quase todos os biomas, com exceção do Pampa. Ela vive na Amazônia, no Pantanal, no Cerrado, na Caatinga e na Mata Atlântica.
A onça gosta de ficar perto da água. O Zoológico de San Diego a descreve como uma ótima nadadora.
A mordida explicada
Comparar mordidas não é simples. Um animal maior quase sempre morde com mais força. Por isso, os cientistas criaram um jeito de comparar a força da mordida levando em conta o peso do corpo.
Em 2005, pesquisadores liderados por Stephen Wroe publicaram um estudo na revista científica Proceedings of the Royal Society B. Eles estimaram a força da mordida de dezenas de mamíferos predadores, vivos e extintos, a partir do formato do crânio.
Para comparar espécies de tamanhos diferentes, o estudo usou o quociente de força de mordida. É um índice em que 100 representa a mordida esperada para um animal daquele peso. Acima de 100, a mordida é mais forte do que o esperado.
O que o estudo encontrou
Entre os felinos atuais analisados, estes foram os resultados:
- Onça-pintada: 137
- Leopardo-nebuloso: 137
- Tigre: 127
- Guepardo: 119
- Leão: 112
- Onça-parda (puma): 108
- Leopardo: 94
Ou seja, a onça-pintada e o leopardo-nebuloso, um felino do Sudeste Asiático, empataram com o índice mais alto entre os felinos da pesquisa.
Em força absoluta, a história muda. O estudo estimou cerca de 1.770 newtons para a mordida do leão nos dentes caninos, cerca de 1.530 para o tigre e cerca de 1.010 para a onça. Leões e tigres mordem mais forte porque são bem maiores.
O estudo também notou um padrão: entre os carnívoros analisados, os que caçam presas grandes, às vezes maiores que eles mesmos, tendem a ter mordidas mais fortes para o seu tamanho.
Como a onça usa essa mordida
A onça tem um jeito de matar que chama a atenção dos pesquisadores.
Segundo o Zoológico de San Diego, os músculos fortes da mandíbula permitem que ela mate a presa perfurando o crânio com os dentes. Essa mesma força permite comer jacarés e répteis de casco duro, como tartarugas e jabutis.
A organização Panthera, que pesquisa onças no Pantanal, descreve a caça ao jacaré. A onça salta e morde a parte de trás da cabeça. Assim, consegue paralisar o jacaré e diminuir o risco durante a luta.
O cardápio da onça
A onça come de tudo um pouco. O Zoológico de San Diego registra mais de 85 espécies de presas, como:
- queixadas e catetos;
- veados;
- antas;
- capivaras;
- jacarés;
- tartarugas e jabutis;
- peixes;
- gado, em áreas de fazenda.
O zoológico também relata que onças já foram vistas sentadas na beira da água, batendo a cauda de leve na superfície para atrair peixes.
A onça está ameaçada?
Sim. Na lista oficial de espécies ameaçadas do Brasil, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente em 2022, a onça-pintada aparece como vulnerável.
No mundo, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) a classifica como quase ameaçada, segundo a Panthera. A organização estima que a onça já desapareceu de quase metade da área onde vivia no passado.
Segundo o ICMBio, as principais ameaças no Brasil são:
- perda e fragmentação do habitat, principalmente pela expansão agrícola;
- mineração, hidrelétricas e novas estradas;
- caça e abate em retaliação a ataques a animais domésticos.
Outras curiosidades
- Filhotes: segundo o Zoológico de San Diego, a mãe cria sozinha de um a quatro filhotes.
- Aprendizado longo: os filhotes começam a caçar sozinhos entre 15 e 18 meses, mas ficam perto da mãe até cerca de 2 anos.
- Onça-preta é onça-pintada: segundo a Panthera, as onças pretas são onças-pintadas com uma característica genética chamada melanismo. A maioria vive em florestas densas, como a Amazônia.
- Caça de emboscada: em vez de correr atrás da presa como o guepardo, a onça espreita e ataca de surpresa.
Perguntas frequentes
A onça-pintada tem a mordida mais forte de todos os felinos?
Em força absoluta, não: leões e tigres mordem mais forte. Em proporção ao tamanho do corpo, ela empatou com o leopardo-nebuloso no índice mais alto entre os felinos analisados em um estudo de 2005.
Como a onça mata as presas?
Segundo o Zoológico de San Diego, ela mata as presas perfurando o crânio com os dentes.
A onça come jacaré?
Sim. No Pantanal, jacarés estão entre as presas comuns da onça.
Quanto pesa uma onça-pintada?
De 31 a 121 quilos, segundo o Zoológico de San Diego. As do Pantanal costumam ser maiores.
A onça-pintada está em extinção?
No Brasil, ela é classificada como vulnerável na lista oficial de 2022.
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Fontes
- Wroe, McHenry e Thomason (2005) — Bite club: comparative bite force in big biting mammals, Proceedings of the Royal Society B
- San Diego Zoo — Jaguar
- Panthera — Jaguar
- Panthera — Wild Cats 101: Why Jaguars Hunt Caimans
- ICMBio — Avaliação do risco de extinção da onça-pintada no Brasil (2013)
- Ministério do Meio Ambiente — Portaria MMA nº 148, de 7 de junho de 2022



