De longe, os Lençóis Maranhenses parecem um deserto. Mas, todo ano, a areia branca fica pontilhada de lagoas azuis e verdes de água doce. O segredo está na combinação de muita chuva, areia que funciona como esponja e um lençol de água escondido embaixo das dunas.
Neste artigo, você vai entender o que é o parque, onde ele fica, como as lagoas se formam e por que elas mudam de lugar de um ano para o outro.
O que são os Lençóis Maranhenses
Os Lençóis Maranhenses são um grande campo de dunas de areia na costa do Maranhão. A área é protegida pelo Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, criado pelo Decreto nº 86.060, de 2 de junho de 1981, e administrado pelo ICMBio.
O parque tem cerca de 156 mil hectares. Segundo a Unesco, perto de 90 mil hectares são de dunas, com lagoas temporárias e permanentes. A NASA calcula que o campo de dunas ocupa cerca de 900 quilômetros quadrados.
A Unesco considera esse o maior campo de dunas da América do Sul. Em 2024, o parque foi reconhecido como Patrimônio Natural da Humanidade.
O nome vem da aparência vista do alto. As curvas da areia branca lembram lençóis de cama amarrotados.
Onde fica
O parque fica no nordeste do Brasil, no litoral leste do Maranhão. As principais portas de entrada citadas pelo ICMBio são os municípios de Barreirinhas, Santo Amaro e Primeira Cruz.
A região é uma área de transição entre três biomas: Cerrado, Caatinga e Amazônia. Perto das dunas aparecem restingas e manguezais, ambientes adaptados ao solo arenoso do litoral.
Segundo a Unesco, o parque tem cerca de 80 quilômetros de litoral. Entre o mar e as dunas há uma faixa de praia e planície com 600 metros a 2 quilômetros de largura.
Por que há lagoas no meio das dunas
Um deserto de verdade tem pouca chuva. Os Lençóis são o contrário. As estimativas de chuva variam: a NASA fala em cerca de 1.250 milímetros por ano, e a Revista Pesquisa FAPESP cita até 2.000 milímetros. Em qualquer caso, é muita água para uma paisagem de areia.
A formação das lagoas acontece em etapas:
- A chuva se concentra em poucos meses. Segundo a FAPESP, mais de 90% da chuva cai entre janeiro e julho.
- A areia absorve a água. Ela se infiltra rápido e se acumula embaixo das dunas.
- O lençol freático sobe. O lençol freático é a camada de água que fica dentro do solo. Com tanta chuva, ele sobe até passar do nível do chão nos pontos mais baixos, entre as dunas.
- As depressões viram lagoas. A NASA explica que uma camada parcialmente impermeável de rocha e argila, embaixo da areia, impede que a água escoe durante a estação chuvosa.
A Unesco destaca que essas lagoas não têm rio de entrada nem de saída. Elas são alimentadas só pela água da chuva.
Quando as lagoas enchem e quando secam
Segundo a NASA, as lagoas costumam chegar ao nível mais alto por volta de junho. Quando as chuvas diminuem, entre agosto e novembro, o lençol freático baixa. Em dezembro, a maior parte das lagoas temporárias já secou.
Na estação seca, o vento sopra mais forte. A NASA registra ventos que costumam passar de 50 quilômetros por hora nessa época. É quando as dunas mais se movem.
Por que as lagoas mudam de lugar
As dunas dos Lençóis andam. Segundo a Unesco e a NASA, elas avançam de 4 a 25 metros por ano, empurradas pelos ventos que vêm do oceano, do leste para o oeste.
Como as dunas mudam de posição, as depressões entre elas também mudam. Por isso, na chuva seguinte, as lagoas reaparecem em lugares um pouco diferentes e com outros formatos.
Um estudo publicado em 2012 na revista Geomorphology, citado pela Revista Pesquisa FAPESP, encontrou uma coincidência curiosa. A paisagem de dunas alternadas com lagoas se mantém porque o sobe e desce anual do lençol freático acompanha o tempo que as dunas levam para andar uma distância igual à própria largura: cerca de um ano.
De onde vem tanta areia
A areia é de quartzo, por isso é tão branca. Segundo a NASA, rios como o Mearim e o Parnaíba levam essa areia até o litoral. Depois, o mar a deposita na praia e o vento a empurra para dentro do continente.
A Unesco descreve o caminho das dunas. Perto do mar, elas nascem pequenas, com 50 centímetros a 1 metro de altura. À medida que avançam, crescem e podem chegar a 30 metros. As cadeias de dunas chegam a 75 quilômetros de comprimento e entram mais de 20 quilômetros no continente.
De onde vêm as cores das lagoas
As lagoas não têm todas a mesma cor. A NASA explica que as mais rasas parecem azul-claro ou turquesa, porque a luz do sol reflete na areia do fundo. As mais fundas ficam mais escuras.
Algas microscópicas, sedimentos e matéria orgânica também mudam o tom da água. A Unesco registra que o fundo das lagoas é coberto por uma camada de algas e cianobactérias marrons ou verdes.
Outras curiosidades
- Peixe que espera a chuva: a traíra vive nas lagoas. Segundo a NASA, na seca ela se enterra na areia até achar lama úmida e fica dormente até a chuva voltar.
- Muita vida: a NASA conta mais de 850 espécies documentadas no parque, entre peixes, aves, répteis, mamíferos e fitoplâncton.
- Espécies ameaçadas: entre elas, a NASA cita a lontra, o peixe-boi-marinho, o guará e o gato-do-mato.
- Gente no parque: segundo a Unesco, mais de 4 mil pessoas viviam dentro dos limites do parque quando ele virou Patrimônio da Humanidade.
- Não é tudo areia solta: o parque também tem rios, dunas fixadas pela vegetação e lagoas que não secam.
Perguntas frequentes
Por que os Lençóis Maranhenses têm lagoas?
Porque chove muito na região. A areia absorve a água, o lençol freático sobe e aflora nos pontos baixos entre as dunas, formando lagoas.
A água das lagoas é doce ou salgada?
É doce. As lagoas são alimentadas pela chuva, e não pelo mar.
Qual a melhor época para ver as lagoas cheias?
Segundo a NASA, o nível costuma ser mais alto por volta de junho. A partir de agosto, as lagoas começam a baixar.
Os Lençóis Maranhenses são um deserto?
Não. Apesar da aparência, a região recebe muita chuva. Por isso, as lagoas conseguem se formar.
Quando o parque virou Patrimônio da Humanidade?
Em 2024, pela Unesco.
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