Capivara adulta em pé na beira de um rio, com as patas na água rasa e capim verde ao redor, na luz do fim da tarde

Capivara: o maior roedor do mundo vive no Brasil

A capivara é o maior roedor vivo do mundo. Um adulto pode passar dos 60 quilos e, mesmo assim, é parente do porquinho-da-índia. Ela nada bem, mergulha e consegue ficar até cinco minutos debaixo d’água.

Neste artigo, você vai entender o que faz da capivara um roedor tão diferente, onde ela vive, o que come e por que quase sempre aparece em grupo.

O que é a capivara

A capivara é um mamífero roedor da família dos cavídeos, a mesma dos porquinhos-da-índia, dos preás e das maras, segundo a ficha da espécie da biblioteca do San Diego Zoo. O nome científico, Hydrochoerus hydrochaeris, vem do grego e quer dizer algo como “porco d’água”. Já o nome popular vem do tupi: o dicionário Michaelis registra a origem kapii-wára. A palavra costuma ser traduzida como “comedor de capim”.

O San Diego Zoo reconhece duas espécies. A que vive no Brasil é a Hydrochoerus hydrochaeris, a maior. A outra, menor e pouco estudada, é a Hydrochoerus isthmius.

Do tamanho de um cachorro grande

Segundo a ficha do San Diego Zoo, a capivara adulta:

  • pesa de 35 a 65 quilos;
  • mede de 1,07 a 1,34 metro, do focinho até a ponta do corpo;
  • tem cerca de 50 a 60 centímetros de altura nos ombros.

O Animal Diversity Web, enciclopédia da Universidade de Michigan, cita animais de até 66 quilos e diz que as fêmeas costumam ser um pouco maiores que os machos. A página de animais do San Diego Zoo fala em até 79 quilos. Os números variam porque dependem da região, da idade e do sexo do animal.

Onde vive

A capivara vive do Panamá até o nordeste da Argentina, a leste dos Andes, segundo o San Diego Zoo. O Animal Diversity Web cita o Brasil, a Venezuela, a Colômbia, o Uruguai e a Argentina entre os países onde ela ocorre.

O que ela precisa é de água por perto. Segundo o San Diego Zoo, o habitat ideal são áreas baixas com capim, perto de rios, lagos e lagoas, que tenham ao mesmo tempo água aberta e terra seca. O Animal Diversity Web cita campos alagados, beiras de brejo e matas baixas como os lugares preferidos.

Um roedor feito para a água

Olhos, orelhas e narinas no alto da cabeça

Os olhos, as orelhas pequenas e as narinas ficam no alto da cabeça. Assim, a capivara consegue ver, ouvir e respirar com quase todo o corpo submerso. O Animal Diversity Web aponta essa posição como uma adaptação à vida meio aquática.

Pés com membranas

As patas têm pequenas membranas entre os dedos, que ajudam a nadar. São quatro dedos nas patas da frente e três nas de trás, segundo o San Diego Zoo.

Até cinco minutos submersa

A capivara é boa nadadora e boa mergulhadora. Segundo o San Diego Zoo e o Animal Diversity Web, ela pode ficar até cinco minutos debaixo d’água. É assim que ela costuma fugir dos predadores: pula no rio e some.

A água também serve de ar-condicionado. Nas horas mais quentes do dia, as capivaras descansam dentro da água ou na lama. O pelo é grosso e ralo, seca rápido e deixa a pele exposta ao sol; a lama grudada no corpo ajuda a protegê-la.

O que a capivara come

A capivara é herbívora. Come principalmente capins e plantas aquáticas, e escolhe bem: segundo o San Diego Zoo, ela prefere algumas espécies de capim nativo. Um adulto come cerca de 3 quilos de plantas frescas por dia.

Os dentes acompanham esse cardápio duro. Os dentes do fundo da boca crescem a vida toda, o que compensa o desgaste de mastigar capim.

Ela também come as próprias fezes. Parece estranho, mas é útil: o capim é difícil de digerir, e comer as fezes da véspera ajuda a aproveitar melhor o alimento. Segundo o San Diego Zoo, o hábito traz bactérias que ajudam a quebrar as fibras. O Animal Diversity Web conta que as capivaras fazem isso de manhã.

A vida em grupo

Capivara quase nunca anda sozinha. Os grupos costumam ter cerca de 10 adultos, mas variam de 3 a 30, segundo o Animal Diversity Web. Na estação seca, quando sobra pouca água, os animais se juntam nas poças e lagoas que restam: o San Diego Zoo registra até 100 capivaras no mesmo ponto de água.

Cada grupo tem um território, que pode ficar estável por vários anos. O macho dominante marca esse território com o morrillo, uma glândula de cheiro bem visível no alto do focinho. As fêmeas têm a mesma glândula, mas bem menor.

As capivaras também conversam. Os filhotes fazem um ronronar quase o tempo todo, talvez para não se perder do grupo. Os adultos assobiam, grunhem e, diante de perigo, dão uma espécie de latido de alarme.

Filhotes e predadores

A gestação dura cerca de 150 dias, ou cinco meses. Nascem em média 4 ou 5 filhotes, com cerca de 1,5 quilo cada, segundo o San Diego Zoo. Eles mamam por uns quatro meses.

Na natureza, a capivara vive em geral de 7 a 10 anos. A lista de predadores é grande. Os adultos são caçados principalmente pela onça-pintada e pela onça-parda. Os filhotes também viram presa de jacarés, sucuris, jaguatiricas e aves de rapina.

Capivara na cidade e a febre maculosa

Em várias cidades brasileiras, as capivaras vivem em lagos de parques e margens de rios. Elas são um dos hospedeiros do carrapato-estrela (Amblyomma sculptum), que pode transmitir a febre maculosa brasileira, uma doença grave causada pela bactéria Rickettsia rickettsii.

O manual de prevenção da Unicamp lista as capivaras e os cavalos como os principais hospedeiros desse carrapato na região de Campinas. O próprio manual explica que, para transmitir a bactéria, o carrapato infectado precisa ficar preso à pele por mais de quatro horas. Por isso, a orientação é conferir o corpo a cada duas horas em áreas com capim e beira de água, usar roupas claras e retirar qualquer carrapato com uma pinça, sem esmagar. Em caso de febre depois de passar por esses lugares, procure atendimento e conte que esteve em área com carrapatos.

Outras curiosidades

  • Parente gigante: segundo o San Diego Zoo, uma capivara extinta da era do gelo, a Neochoerus pinckneyi, era cerca de 40% maior que a atual.
  • Ponto de pouso: pelo menos nove espécies de aves aproveitam a capivara para se alimentar. Elas pousam nas costas do roedor, comem insetos do pelo ou pegam os bichos que ele espanta ao andar, segundo o San Diego Zoo.
  • Rotina: a capivara descansa de manhã, foge do calor na água e come mais no fim da tarde e à noite. Em lugares com muita gente, ela fica mais noturna e desconfiada.
  • Fora de perigo: a espécie é classificada como “pouco preocupante” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), segundo o San Diego Zoo. Mesmo assim, a caça excessiva reduziu algumas populações locais.

Perguntas frequentes

A capivara é o maior roedor do mundo?
Sim, entre os roedores vivos. Um adulto pesa de 35 a 65 quilos, segundo o San Diego Zoo.

Quanto tempo a capivara fica debaixo d’água?
Até cerca de cinco minutos, segundo o San Diego Zoo e o Animal Diversity Web.

O que a capivara come?
Capins e plantas aquáticas. Ela também come as próprias fezes, o que ajuda a digerir o capim.

A capivara é parente do porquinho-da-índia?
Sim. As duas espécies pertencem à mesma família de roedores, a dos cavídeos.

A capivara transmite febre maculosa?
Não diretamente. Quem transmite a bactéria é o carrapato-estrela. A capivara é um dos animais que hospedam esse carrapato.

Gostou de conhecer a capivara? Veja também outras curiosidades sobre a fauna do Brasil aqui no blog.

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Fontes

1 comentário em “Capivara: o maior roedor do mundo vive no Brasil”

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