Tamanduá-bandeira caminhando no Cerrado ao lado de um cupinzeiro, com a faixa preta de bordas brancas no corpo e a cauda peluda

Tamanduá-bandeira: como ele come sem ter nenhum dente

O tamanduá-bandeira não tem um único dente. Mesmo assim, ele consegue comer milhares de formigas e cupins por dia. O segredo está em uma língua comprida e pegajosa e em um estômago muito musculoso.

Neste artigo, você vai entender como esse animal se alimenta, por que ele anda apoiado nos “punhos” e o que está colocando a espécie em risco no Brasil.

O que é o tamanduá-bandeira

O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) é um mamífero da América do Sul. Também é chamado de papa-formigas, tamanduá-açu e jurumim, segundo o ICMBio.

É fácil de reconhecer: tem o focinho longo e fino, uma faixa preta de bordas brancas que atravessa o corpo na diagonal e uma cauda grande e peluda, parecida com uma bandeira.

As medidas variam conforme a fonte e o lugar onde o animal vive:

  • segundo a ficha do ICMBio, a cabeça e o corpo medem de 1 a 1,4 metro, e a cauda, de 60 a 90 centímetros;
  • o Zoológico Nacional do Smithsonian, nos Estados Unidos, indica de 1,8 a 2,4 metros de comprimento total, já contando a cauda;
  • na natureza, o peso vai de cerca de 22 a mais de 45 quilos, segundo o ICMBio. Em cativeiro, com outra alimentação, alguns chegaram a 60 quilos.

Onde vive

No Brasil, o tamanduá-bandeira aparece na Amazônia, na Caatinga, no Cerrado, na Mata Atlântica e no Pantanal. Ele usa campos, cerrados e áreas alagáveis, mas depende das matas e das bordas de floresta para se proteger do calor e do frio.

No Rio Grande do Sul, ele é considerado criticamente ameaçado.

Como ele come sem dentes

Uma língua de cerca de 60 centímetros

A língua do tamanduá-bandeira é fina, comprida e tem cerca de 60 centímetros. O Zoológico de San Diego compara o formato dela a um fio de espaguete.

Com as garras, o tamanduá abre um buraco no cupinzeiro ou no formigueiro. Depois, coloca o focinho e mexe a língua para dentro e para fora até 150 vezes por minuto. A saliva grudenta faz os insetos ficarem presos.

Esmagar em vez de mastigar

Como não tem dentes, ele não mastiga. Segundo o Zoológico de San Diego, o tamanduá esmaga os insetos contra o céu da boca. Depois, o estômago, que é muito musculoso, termina de triturar a comida.

Até 30 mil insetos por dia

O mesmo zoológico estima que um tamanduá-bandeira come até 30 mil formigas e cupins por dia. Mas ele não fica muito tempo no mesmo lugar: come em um ninho por cerca de um minuto e segue para o próximo. Segundo o Smithsonian, são cerca de 140 insetos por ninho em cada parada.

Um estudo no Cerrado de Mato Grosso do Sul, citado pelo ICMBio, mostrou que os cupins eram cerca de 70% da massa das amostras de alimento, e as formigas, cerca de 29%.

O dia a dia do tamanduá-bandeira

O tamanduá-bandeira muda o horário de atividade conforme o tempo. Segundo o ICMBio, ele pode ficar ativo de dia, à tarde ou à noite, dependendo da temperatura e da chuva. Um estudo que acompanhou tamanduás com GPS por cinco anos mostrou que, acima de 22 °C, eles ficam mais noturnos. Abaixo de 15 °C, passam a se movimentar mais de dia e por menos tempo.

Ele também anda bastante. As áreas que cada tamanduá usa variam muito de um estudo para outro. Nos estudos feitos no Brasil, as áreas registradas vão de cerca de 160 hectares, no Paraná, a cerca de 1.190 hectares, no Pantanal.

Apesar do jeito desajeitado, ele sobe em cupinzeiros de 2 a 3 metros de altura e até em árvores. Na natureza, vive cerca de 15 anos. Em cativeiro, há registros de animais com mais de 30 anos.

Outras curiosidades

  • Anda sobre os “punhos”: o tamanduá caminha com as patas da frente dobradas. Assim, as garras ficam protegidas e continuam afiadas para cavar e se defender.
  • Três garras grandes: o nome tridactyla vem das três garras bem desenvolvidas nas patas da frente.
  • Corpo frio: a temperatura do corpo é de cerca de 32,7 °C, uma das mais baixas entre os mamíferos, segundo o Zoológico de San Diego.
  • Gosta de banho: é bom nadador e toma banho na água, na lama e até na poeira, em parte para se refrescar.
  • Filhote nas costas: a gestação dura de 171 a 184 dias e nasce um filhote por vez. A mãe carrega o filhote no dorso por seis a nove meses.
  • Pelagem que identifica: os desenhos da faixa preta e das manchas nas patas mudam de um indivíduo para outro e ajudam os pesquisadores a reconhecer cada animal.

Um animal ameaçado

O tamanduá-bandeira está classificado como Vulnerável à extinção no Brasil, segundo o ICMBio. A avaliação suspeita que pelo menos 30% da população foi perdida em 21 anos.

No mundo, a situação é parecida. Na Lista Vermelha da IUCN, a União Internacional para a Conservação da Natureza, a espécie também aparece como Vulnerável, com a população em queda. A avaliação mais recente foi feita em 2013 e publicada em 2014. Segundo a IUCN, já houve muitos casos de populações extintas em partes da área original, principalmente na América Central, onde o tamanduá-bandeira é considerado o mamífero mais ameaçado.

As maiores ameaças são a perda e a fragmentação do hábitat, principalmente para monoculturas, os atropelamentos e os incêndios. Também pesam a caça, os ataques de cães domésticos e a perseguição motivada por superstições.

A espécie se reproduz devagar: só um filhote por gestação e um longo cuidado com a cria. Por isso, as populações demoram a se recuperar quando perdem indivíduos.

Perguntas frequentes

O tamanduá-bandeira tem dentes?
Não. Ele não tem nenhum dente. Esmaga os insetos contra o céu da boca, e o estômago musculoso tritura o resto.

Qual é o tamanho da língua do tamanduá-bandeira?
Cerca de 60 centímetros.

Quantas formigas o tamanduá-bandeira come por dia?
Até 30 mil formigas e cupins por dia, segundo o Zoológico de San Diego.

O tamanduá-bandeira é perigoso?
As garras são fortes e servem para defesa. Se encontrar um, mantenha distância e não tente tocar.

O tamanduá-bandeira está em extinção?
Ele é classificado como Vulnerável no Brasil, pelo ICMBio, e no mundo, pela Lista Vermelha da IUCN. Atropelamentos, incêndios e perda de hábitat estão entre as principais ameaças.

Gostou de conhecer o tamanduá-bandeira? Veja também outras curiosidades da fauna brasileira aqui no blog.

Fontes

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