O carro de Fórmula 1 não tem só um motor a combustão. Desde 2014, ele usa um sistema híbrido, com um motor a gasolina trabalhando junto de um motor elétrico. E, a partir de 2026, a parte elétrica passou a responder por cerca de metade da potência total.
Neste artigo, você vai entender como esse conjunto funciona, o que ele tem em comum com o motor de um carro de rua e o que mudou com as regras mais recentes.
O que é a “unidade de potência”
Na Fórmula 1, ninguém fala só em “motor”. O nome oficial é unidade de potência, porque o conjunto reúne várias partes que trabalham juntas:
- o motor a combustão, um V6 turbo de 1,6 litro;
- o MGU-K, um motor-gerador elétrico ligado às rodas traseiras;
- a bateria, que guarda a energia elétrica;
- a eletrônica de controle, que decide a cada instante quanta energia usar ou guardar.
“V6” quer dizer que o motor tem seis cilindros, arrumados em duas fileiras de três que formam um “V”. “1,6 litro” é o volume somado desses cilindros. É um motor pequeno: muitos carros populares têm motores de tamanho parecido.
Onde fica e como a energia chega às rodas
A unidade de potência fica atrás do piloto, no meio do carro, e move as rodas traseiras. O motor a combustão e o motor elétrico empurram o carro ao mesmo tempo, somando forças.
A curiosidade explicada: como o motor funciona
O motor a combustão
No fundo, o motor a gasolina da Fórmula 1 segue o mesmo princípio do motor de um carro comum. O Departamento de Energia dos Estados Unidos resume esse ciclo em quatro tempos:
- Admissão: o pistão desce e o cilindro se enche de ar e combustível.
- Compressão: o pistão sobe e aperta essa mistura.
- Combustão: uma faísca da vela incendeia a mistura. Os gases se expandem e empurram o pistão para baixo com força.
- Escape: o pistão sobe de novo e expulsa os gases queimados.
O movimento de sobe e desce dos pistões gira o virabrequim, e esse giro acaba chegando às rodas.
O turbo aproveita os gases do escapamento para girar uma turbina. Essa turbina move um compressor que empurra mais ar para dentro dos cilindros. Com mais ar, dá para queimar mais combustível e gerar mais força com um motor pequeno.
Segundo a FIA, entidade que organiza a Fórmula 1, o motor a combustão das regras de 2026 entrega cerca de 400 kW, algo em torno de 540 cavalos. Nas regras anteriores, eram de 550 a 560 kW.
O motor elétrico e a frenagem que vira energia
A grande diferença para um carro comum está no MGU-K. Ele funciona nos dois sentidos:
- Como gerador: quando o piloto freia ou tira o pé do acelerador, o MGU-K ajuda a segurar o carro e transforma essa energia de movimento em eletricidade, que vai para a bateria.
- Como motor: quando o piloto acelera, a energia guardada volta para as rodas e soma força ao motor a gasolina.
É a mesma ideia da frenagem regenerativa usada em carros híbridos e elétricos de rua, só que levada ao extremo.
Nas regras de 2026, o MGU-K pode entregar até 350 kW, contra 120 kW nas regras anteriores. Segundo a Fórmula 1, isso deixa a divisão de potência perto de 50% elétrica e 50% a combustão. Antes, a parte elétrica respondia por cerca de 20%.
Segundo a FIA, o sistema pode recuperar até 8,5 megajoules de energia por volta, e a energia recuperada nas frenagens dobrou em relação às regras anteriores.
O que saiu: o MGU-H
Entre 2014 e 2025, a unidade de potência tinha um segundo gerador, o MGU-H, ligado ao turbo. Ele recuperava energia do calor dos gases do escapamento. Era uma peça complexa e foi eliminada nas regras de 2026.
Outras curiosidades
- O combustível é 100% sustentável. Desde 2026, o combustível da Fórmula 1 é produzido a partir de fontes como captura de carbono, lixo urbano e biomassa que não serve de alimento.
- Cinco fabricantes fornecem motores em 2026: Mercedes, Ferrari, Red Bull-Ford, Honda e Audi.
- O piloto tem um “botão de ultrapassagem”. Nas regras de 2026, há um modo que libera energia elétrica extra para ajudar em ultrapassagens.
- A era híbrida começou em 2014. Segundo a Fórmula 1, aquelas unidades de potência se tornaram os motores mais confiáveis e econômicos da história da categoria.
Por que a Fórmula 1 mudou o motor
A FIA descreve a unidade de potência de 2026 como a mais próxima dos carros de rua já vista na Fórmula 1. A ideia foi simplificar o conjunto e torná-lo menos poluente: o MGU-H saiu, a parte elétrica cresceu e o combustível passou a ser sustentável. A FIA também destaca que esse combustível pode ser usado em motores comuns, sem adaptação.
Perguntas frequentes
O motor da Fórmula 1 é elétrico?
Não totalmente. Ele é híbrido: um motor a gasolina V6 turbo trabalha junto com um motor elétrico. Desde 2026, cada um responde por cerca de metade da potência.
Qual o tamanho do motor da Fórmula 1?
O motor a combustão tem 1,6 litro e seis cilindros em V, com turbo.
Quantos cavalos tem um carro de Fórmula 1?
As fontes informam a potência de cada parte, não um total oficial: cerca de 400 kW do motor a combustão e até 350 kW do motor elétrico. Somando os dois valores, chega-se a cerca de 750 kW, ou perto de mil cavalos. Essa soma é um cálculo nosso e representa o máximo teórico: na pista, a potência real depende de quanta energia a bateria tem disponível em cada momento.
Como o carro recarrega a bateria?
Principalmente nas frenagens. O motor elétrico funciona como gerador e transforma a energia do movimento em eletricidade.
Que combustível a Fórmula 1 usa?
Desde 2026, um combustível 100% sustentável, produzido a partir de fontes como captura de carbono, lixo urbano e biomassa não alimentar.
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Fontes
- Formula 1 — 2026 regulations explained: all you need to know about F1’s new power units
- Formula 1 — Everything you need to know about the new F1 rules for 2026
- FIA — A New Era of Competition: FIA showcases future-focused Formula 1 regulations for 2026 and beyond
- U.S. Department of Energy — Internal Combustion Engine Basics


