Boto-cor-de-rosa nadando na superfície de um rio da Amazônia, com o corpo rosado e o focinho comprido

Boto-cor-de-rosa: por que ele é rosa?

O boto-cor-de-rosa não nasce rosa. O filhote vem ao mundo cinza-escuro, e a cor rosada aparece aos poucos, com a idade e com as marcas que o animal acumula na pele ao longo da vida.

Neste artigo, você vai entender de onde vem essa cor, por que os machos costumam ser mais rosados e o que mais faz desse golfinho da Amazônia um animal tão diferente.

O que é o boto-cor-de-rosa

O boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) é um golfinho de água doce. Também é chamado de boto-vermelho, boto da Amazônia ou simplesmente boto. Segundo o ICMBio, é o maior dos golfinhos de rio.

Os machos são bem maiores que as fêmeas. As medidas máximas variam um pouco entre as fontes:

  • a ficha do ICMBio indica machos com até 2,55 metros e 200 quilos, e fêmeas com até 2,25 metros e 155 quilos;
  • uma revisão científica de 2023, feita por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e de outras instituições, registra 2,50 metros como o maior macho medido na Amazônia e 207 quilos como o mais pesado.

Em resumo: os machos podem chegar a cerca de 2,5 metros e cerca de 200 quilos. Em média, segundo a mesma revisão, eles são 16% mais compridos e 55% mais pesados que as fêmeas.

Onde vive

O boto vive nos rios das bacias do Amazonas e do Orinoco, no norte da América do Sul. Ocorre no Brasil, na Bolívia, na Colômbia, no Equador, no Peru, na Venezuela e na Guiana.

No Brasil, de acordo com o ICMBio, ele aparece nos rios Amazonas, Negro, Branco, Madeira, Tapajós e Xingu, entre outros. Os estados com registros atuais são Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima.

O boto é mais comum perto das margens e nos encontros de rios. Também usa a várzea e o igapó, as áreas de floresta que ficam alagadas na cheia.

Por que o boto é rosa

Ele nasce cinza

Fetos e filhotes são cinza-escuros. Com o crescimento, passam para um cinza mais claro e depois para o rosa. A barriga costuma ser mais clara que o dorso, mas não existe uma linha marcando a divisão entre as duas cores.

A pele perde pigmento com o tempo

Segundo o ICMBio, o rosa vem de uma perda intensa de pigmento escuro na pele. Essa despigmentação é causada por abrasão, isto é, pelo desgaste da pele, e por cicatrizes.

A Fiocruz compara o boto com o eritrismo, uma condição genética que deixa pelos, penas ou escamas de alguns animais rosados. No boto, a explicação é outra: o rosa aparece nas áreas com cicatrizes e desgastes na pele.

As brigas entre machos deixam marcas

As cicatrizes vêm, em boa parte, de confrontos entre botos da mesma espécie. Por isso, os machos adultos costumam ser muito mais rosados que as fêmeas e os jovens. Existem fêmeas rosadas, mas são menos comuns.

A revisão de 2023 explica que o rosa não é sinal de saúde. Ele funciona como um sinal de maturidade: um macho bem rosado é, em geral, um macho adulto. A cor também pode ter um efeito de exibição, ou seja, chamar a atenção de outros botos.

Outras curiosidades

  • Pescoço flexível: as sete vértebras do pescoço não são fundidas, como acontece na maioria dos golfinhos. Por isso, o boto consegue mover a cabeça para todos os lados, algo pouco comum entre os golfinhos.
  • Boa visão: os olhos são pequenos, mas enxergam bem dentro e fora da água.
  • Cardápio variado: pesquisadores já encontraram mais de 40 espécies de peixes no estômago de botos da Amazônia central. A pescada (do gênero Plagioscion) é a mais comum.
  • Quase sempre sozinho ou em grupos pequenos: em levantamentos na Amazônia central, 99% dos grupos avistados tinham de um a quatro botos.
  • Namoro com objetos: segundo o ICMBio, machos adultos usam galhos, pedaços de pau e barro para cortejar as fêmeas.
  • Gestação longa: dura de 12 a 13 meses, com um filhote por vez. Ao nascer, o filhote mede de 78 a 90 centímetros.
  • Vida longa: estudos com os dentes indicam que o boto pode viver cerca de 45 anos na natureza.

A lenda do boto

O boto é personagem de lendas da Amazônia. Nas histórias mais conhecidas, ele se transforma em homem e seduz as moças das vilas à beira do rio.

Essas lendas têm um lado ruim para a espécie. A revisão de 2023 aponta que partes do corpo do boto, como olhos e dentes, são vendidas como amuletos de amor em cidades da Amazônia. Parte desses produtos, aliás, nem vem de botos de verdade.

Um golfinho ameaçado

O boto-cor-de-rosa é classificado como Em Perigo de extinção tanto na lista brasileira, do ICMBio, quanto na lista global da IUCN, a União Internacional para a Conservação da Natureza. Na IUCN, a mudança para essa categoria aconteceu em 2018.

A principal ameaça das últimas décadas é a caça para usar a carne do boto como isca na pesca da piracatinga, um bagre que se alimenta de carcaças. Os números variam muito entre as fontes: a revisão de 2023 fala em 300 a 4 mil botos mortos por ano para esse fim no Brasil, enquanto a ficha do ICMBio cita até 7 mil por ano antes da proibição dessa pesca, em 2014.

Contagens feitas de 1994 a 2017 em uma área da Reserva Mamirauá, no Amazonas, mostraram que a população local caiu em média 7,4% ao ano, o que equivale a cair pela metade a cada 10 anos. Hidrelétricas, redes de pesca e o desmatamento das margens também pressionam a espécie.

Perguntas frequentes

O boto já nasce rosa?
Não. O filhote nasce cinza-escuro e vai ficando rosado com a idade, principalmente por causa do desgaste da pele e das cicatrizes.

Por que o macho é mais rosa que a fêmea?
Porque os machos brigam mais entre si. As cicatrizes dessas brigas perdem o pigmento escuro e deixam a pele mais rosada.

O boto-cor-de-rosa é o maior golfinho de rio?
Sim. Segundo o ICMBio e a revisão científica de 2023, ele é o maior dos golfinhos de água doce.

O boto-cor-de-rosa está ameaçado de extinção?
Sim. Ele está na categoria Em Perigo na lista do ICMBio e na lista da IUCN.

É proibido caçar boto?
Sim. No Brasil, a caça de animais silvestres é proibida desde 1967, e o boto está protegido por lei.

Gostou de conhecer o boto-cor-de-rosa? Veja também outras curiosidades sobre animais aqui no blog.

Fontes

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