Em alguns rios da Amazônia, em certos dias, a correnteza parece mudar de ideia. Uma onda chega do mar, sobe o rio com barulho alto e passa arrastando tudo pelo caminho. Esse fenômeno se chama pororoca.
Neste artigo, você vai entender como a pororoca se forma, onde ela acontece e por que ela praticamente desapareceu de um rio do Amapá.
O que é a pororoca
A pororoca é uma onda de maré. Ela se forma quando a maré enche e a água do mar entra no rio com tanta força que sobe contra a correnteza, em uma frente de água alta e barulhenta.
Em inglês, esse tipo de fenômeno é chamado de tidal bore. A National Geographic Education define o fenômeno como uma maré forte que empurra a água rio acima, contra a corrente.
O nome vem do tupi pororóka, segundo o dicionário Michaelis. O mesmo dicionário descreve a pororoca como uma grande onda de maré alta que sobe o rio “com ruído estrondoso” e que é perigosa para a navegação.
Onde acontece
A pororoca é mais conhecida nos rios da foz do Amazonas, nos estados do Pará e do Amapá. O Amazonas despeja no oceano cerca de 17% de toda a água doce que chega aos mares do planeta, segundo um estudo publicado em 2025 na Revista Brasileira de Geomorfologia. Essa enorme quantidade de água encontra marés fortes vindas do Atlântico.
Um dos lugares mais famosos é São Domingos do Capim, no nordeste do Pará, onde se encontram os rios Guamá e Capim. Segundo a Agência Brasil, ali a pororoca forma ondas de até 4 metros, e o trecho em que é possível surfar tem quase 2 quilômetros.
Como a pororoca se forma
A maré precisa ser grande
De acordo com a National Geographic Education, as ondas de maré como a pororoca só aparecem em lugares com uma grande diferença entre a maré alta e a maré baixa. O rio também precisa ser relativamente raso e ter um estuário largo e plano.
Na foz do Amazonas, a região é rasa e cheia de ilhas baixas e bancos de areia. Isso ajuda a maré a formar uma frente de água quando entra nos rios.
A Lua dá o empurrão
Segundo a National Geographic Education, as ondas de maré ficam mais fortes nas marés de sizígia, que acontecem nas fases de lua nova e lua cheia, quando as marés são mais intensas.
Por isso, quem quer ver ou surfar a pororoca consulta a tábua de marés e as fases da Lua. Segundo a Agência Brasil, em São Domingos do Capim o fenômeno é mais forte em alguns meses do ano.
Depois da onda, os banzeiros
Depois que a frente da pororoca passa, o rio fica agitado. O dicionário Michaelis explica que se formam ondas menores, chamadas banzeiros, que quebram com força nas margens.
A pororoca que sumiu do Amapá
Por muito tempo, o rio Araguari, no Amapá, também teve pororoca. Segundo o estudo da Revista Brasileira de Geomorfologia, feito por pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (IEPA), da Universidade Federal do Pará (UFPA) e da Universidade Federal Fluminense (UFF), a pororoca era comum no Araguari até 2014 e chegava a até 50 quilômetros rio acima. No Araguari, a influência da maré alcança cerca de 225 quilômetros a partir da costa.
Em 2014, a antiga foz do rio ficou entupida de sedimentos. Os pesquisadores apontam que vários canais abertos na região, chamados de valas, alguns feitos por búfalos e outros por pessoas, podem ter acelerado as mudanças no caminho da água.
Para reconstruir essa história, os pesquisadores compararam mapas históricos, feitos desde o século 17, com fotografias aéreas, imagens de radar e imagens de satélite da foz do Araguari.
Uma reportagem da ((o))eco publicada em maio de 2026 afirma que a pororoca, que avançou pelo Araguari durante décadas, perdeu força até praticamente desaparecer depois da instalação de hidrelétricas no rio. A reportagem cita estudos da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) que relacionam o fim da onda a mudanças na vazão e no comportamento da água.
Outras curiosidades
- Surfe no rio: São Domingos do Capim recebe campeonatos de surfe e um festival dedicado à pororoca.
- Duas vezes por dia: como depende da maré, a onda pode passar de dia e de noite.
- Escultora de margens: a força da pororoca tira sedimentos de um lugar e deposita em outro, mudando o desenho das margens e das ilhas da foz.
- Perigo para barcos: o dicionário Michaelis registra que a pororoca é perigosa para a navegação.
Perguntas frequentes
O que é a pororoca?
É uma onda de maré que sobe o rio contra a correnteza, formada quando a maré do oceano entra com força na foz.
Qual é a altura da pororoca?
Em São Domingos do Capim, no Pará, ela forma ondas de até 4 metros, segundo a Agência Brasil.
Quando acontece a pororoca?
Nas marés mais fortes, que ocorrem nas luas nova e cheia. Em alguns lugares, ela é mais intensa em certos meses do ano.
A pororoca acabou no Amapá?
No rio Araguari, ela praticamente desapareceu depois de 2014, quando a antiga foz ficou entupida de sedimentos. Ela continua acontecendo em outros rios da região, como em São Domingos do Capim, no Pará.
Dá para surfar na pororoca?
Sim. Em São Domingos do Capim, o trecho surfável tem quase 2 quilômetros, e a cidade recebe campeonatos de surfe.
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Fontes
- National Geographic Education — Tidal bore
- Santos et al. (2025) — Dynamics of a macrotidal estuary along 400 years: Araguari river, Amazon coast, Brazil. Revista Brasileira de Geomorfologia
- Agência Brasil — Festival no interior do Pará celebra o fenômeno natural da pororoca (2026)
- ((o))eco — Energia, inundação e conflito no Rio Araguari revelam o custo invisível das hidrelétricas no Amapá (2026)
- Dicionário Michaelis — Pororoca



